29.5.09

Abeia nas gringa

Realizar o cobiçado sonho americano é idéia unânime em boa parte das conversas trocadas entre qualquer skatista brasileiro. Seja pela oportunidade que se tem de roletar nos picos mais clássicos da gringa, seja para aprender outra língua mãe ou até mesmo para fazer render uns bons dólares ou euros.

Backside tail em Passos/MG (Revista Switch n.º 15)

Local de Passos, Henrique Bárbara, também conhecido como Abeia, teve quatro meses para curtir o american dream. O skatista ficou de dezembro de 2008 até março de 2009 na cidade de Washington DC. Tinha endereço fixo e trampo certo. Dividia um apartamento com outros seis universitários brasileiros que estava com o mesmo objetivo, trampar e estudar o inglês.

Role em Flushing Meadows em NY

O skatista explica que foi à terra do Obama para melhorar o currículo do 5º ano do curso de engenharia de produção que faz em Maringá/PR. “É o sonho de todo skatista conhecer a ‘gringa’ e o meu não poderia ser diferente! Estou quase me formando e o inglês é fundamental para se conseguir uma boa posição no mercado de trabalho. Aproveitei para unir o útil ao agradável e fui também para conhecer a cultura deles, viver por lá algum tempo, falar inglês e andar de skate nos sonhados picos americanos” disse ele.

Transfer backside tail de Abeia nas gringa

Por ter ido uma época que o hemisfério norte registra temperaturas abaixo de zero o role de skate tinha que esperar um pouco para trincar. Enquanto isso o cara se preocupava apenas nas peças que iria compor seu 1º skate ‘gringo montado em solo americano’. “Não andei tanto quanto queria, pois não tinha muito tempo por causa do trabalho. Quando tinha um tempo livre tinha que contar com a sorte de não estar tão frio e sem neve. Não tem como andar de skate com o frio que faz lá” explicou.

Frontside flip...

Os roles aconteceram em Nova Iorque, Washington e em algumas cidades metropolitanas de Washington. Perguntado qual pico ele considerou o melhor, Abeia escolheu dois deles. "O pico que mais curtiu andar foi o Flushing Meadows em NY. Aquele pico azul de vários vídeos onde tem um globo de metal. Andei lá sozinho durante umas duas horas. O foda foi que torci o pé feio e fiquei um tempo sem andar. Outro pico em que dá pra se passar o dia andando de skate, se os cups deixarem, é a Freedom Plaza em Washington”.

e um ollie em Flushing Meadows

Ao responder qual foi o fato que marcou a estada dele por lá, o passense também tem duas opções. “Me marcou o patriotismo do povo americano, que é uma coisa que não vemos aqui no Brasil. Eles não são nenhum exemplo de sociedade, porém o patriotismo deles é admirável! Uma coisa negativa foi a quantidade de bens utilizáveis que eles desperdiçam e deixam no lixo. Mobiliei meu apartamento quase todo com coisas que achei no lixo como televisão, aspirador de pó, sofá, colchão, inclusive as duas malas que trouxe para o Brasil (risos)”.

Um nollie nosegrind em Freedom Plaza

Com a certeza de ter conseguido cumprir os objetivos de estudar, trabalhar e andar de skate, a impressão que o skatista trouxe foi a grande diferença que existe entre os dois ‘mundos’. “Passei lá em um momento onde o mundo todo só fala da crise econômica americana, a crise realmente é uma realidade. Porém, a diferença é que lá os guerreiros, mesmo com crise, conseguem se virar e viver bem. No Brasil existem milhões de guerreiros vivendo na miséria” finaliza ele.

Fotos na gringa: Arquivo Pessoal
1ª foto e texto: Jr Lemos